Doce convite de um amargo destino

Olá, tenho 30 Anos, sou de Manaus Amazonas Brasil. Venho atraves desta, relatar a forma que eu fui recrutada.

Eu estava no centro da minha cidade, pois fui atender um cliente, ao término eu estava tentando pedir um Über quando percebi que um homem estava me olhando, cheguei até a pensar que ele iria me assaltar. Ele se aproximou e disse que eu era muito bonita, eu agradeci. Daí ele começou a puxar assunto, perguntou se eu tinha filhos, se eu trabalhava eu disse que sim, que eu tinha filhos e que eu vendia refeições, porém eu tinha parado pois eu estava sem material para trabalhar, e que além disso eu também trabalhava como garota de programa. Daí ele falava um pouco enrolado, ele era negro e alto. D ele me fez algumas perguntas, onde eu morava, com quem eu morava, se eu tinha namorado etc… daí eu disse que morava com os meus filhos, com a minha mãe, e o meu irmão. Daí ele perguntou quanto eu cobraria para ir para a cama com ele, eu disse que cobraria 150 reais por 1 hora. D ele disse tenho um trabalho melhor para você, que você ganhará muito mais do que 150 reais.”

Eu perguntei o que seria, daí ele disse caso você aceite eu te explico melhor, daí eu perguntei caso eu aceitasse quanto eu ganharia? ele disse que eu ganharia $5,000 dólares USD, revertido em real, que eu receberia R$30,000 reais. Daí eu disse que era um bom dinheiro, pois com esse dinheiro, eu conseguiria comprar para eu voltar a vender minhas refeições, e também mobiliar o quarto da minha filha e ajudar a minha mãe a pagar um débito que está super alto com a companhia elétrica. Ele disse que essa seria a minha oportunidade, daí eu perguntei o que eu teria que fazer

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Drogas, prostituição e tráfico – minha vida desde os 12 anos

Eu estou presa em Hong Kong por tráfico de drogas.

Desde muito nova eu tenho passado por muitas dificuldades. Minha mãe é uma alcoólatra e por conta disto eu fui criada em um lar onde não havia paz.

Sem a presença paterna comecei a enfrentar dificuldades. Na escola eu sempre tinha problemas com outras estudantes, eu era uma adolescente muito rebelde porém havia boas notas. Tive amizades que me apresentaram o caminho das drogas onde comecei a fazer o uso de Cocaína com apenas 11 anos de idade.

Sem ninguém pra intervir por mim, eu continuei nesta vida e comecei a vender drogas. Comecei a namorar com um homem que me induziu a fugir de casa e me ensinou a usar outros tipos de drogas como a HEROINA e com 12 anos, eu tive a minha primeira overdose meu ex namorado me levou para o hospital e me abandonou lá sozinha pois como eu era menor de 18 anos e estava sendo internada por overdose de drogas, o maior legal que estivesse comigo teria que responder por isto. Sendo assim para ele não assumir a responsabilidade me abandonou lá no hospital.

Fraca e sem forças para me defender ele me bateu e me estuprou, roubou todo o meu dinheiro e me colocou la do lado de fora da casa vestida apenas de calcinha e sutiã.

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De vendedora de marmita a transportadora de drogas

Tenho 38 anos, sou mãe de 4 filhos, sendo que um faleceu agora dia 11 de agosto.

O pai dos meus filhos faleceu no dia 25 de julho, 2023. Depois que ele faleceu, tudo ficou muito difícil para mim. Eu trabalhava com comida, vendendo marmita, mas depois disso não consegui mais. Não consegui mais pagar aluguel nem pagar luz e água. Então voltei a morar na casa da minha mãe porque não consegui mais pagar as contas.

…mas logo quando cheguei em São Paulo quis desistir, mas não deixaram. Passei mal, não consegui engolir, por isso trouxe o resto na vagina.

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“Até já”

Venho escrever esta carta para infelizmente lhe contar a minha história, o porque estar nesta situação aqui em Hong Kong.

Eu sou portuguesa, 40 anos, tenho 4 filhos um neto com 2 anos. Vivo em Lisboa desde que nasci.

Eu trabalhava numa universidade na área de cozinha, onde fazia comida para os alunos e professores, gostava tanto da minha comida como de mim, da minha disposição com eles. A impressa para a qual trabalhava fui a concurso e perdeu, sendo assim infelizmente todos que trabalhavam para essa impressa sermos mandados embora, incluindo eu, e fiando desempregada….

Durante uns 3 ou 4 meses, com as economias conseguia pagar despensas e comida da minha casa… As coisas começaram a ficar difícil, pois eu sou a única que lá em casa sou o pilar para todo…. Infelizmente já a minhas poupanças acabarem, só via as despensas da casa acumularem por vezes ter de pedir ajuda em alimentos para os meus.

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Completamente cego pelo vício da cocaína

Carta de um Brasileiro em uma prisão de Hong Kong. (Segunda parte)

Sou brasileiro, tenho 23 anos e sempre fui dedicado ao trabalho e aos estudos… Venho de uma família simples, honesta, uma família cristã.

Aos 15 anos de idade eu entrei para o mundo das drogas por influência de alguns falsos amigos é também por causa da minha curiosidade. Desde então é eu passei a ser um usuário de maconha. Confesso que nunca tive grandes problemas relacionado a maconha. Minha vida virou de cabeça para baixo quando eu entrei para o terrível mundo da cocaína no ano de 2019. Desde então. minha vida vinha sendo um verdadeiro pesadelo, um grande poço profundo de vício, ansiedade e depressão.

Desde jovem eu sempre trabalhei, eu era um jovem promissor mas o vício me tirou tudo… passei a trabalhar apenas para sustentar o vício, eu já não ajudava mais com as despesas da casa, fiquei cego e me perdi por completo no vício da cocaína. Houve um tempo em que o salário salário que eu recebia para meu trabalho já não era mais suficiente para sustentar o meu vicio. Por diversas ocasiões eu dependi da ajuda da minha mãe para pagar as minhas dívidas de drogas. Ela fazia isso pois temia que eu pudesse ser morto por não poder pagar as dívidas de drogas.

Algumas vezes pelo fato de estar acompanhado de pessoas erradas, na hora errada e no lugar errado, eu sofri tentativa de assassinato, apenas por estar junto de pessoas erradas, na hora errada.

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Preso… no outro lado do mundo

Carta de um Brasileiro em uma prisão de Hong Kong. (Primeira parte)

Aqui vão um pequeno recado para aqueles que dá alguma forma pensam em entrar nesse mercado… vocês não sabem o dor de estar preso, de não poder ser uma pessoa livre, de não poder estar junto à família, vocês não vão pôr em risco suas vidas e a vida de seus familiares.

Hoje me envergonho muito,  pois eu traria drogas, que destruiria a vida de muitas pessoas. Não desejo essa vida para ninguém…

No meu país sou viciado em cocaína, faz alguns anos de lá pra cá o vício nas drogas tirou muitas coisas de mim, já perdi um emprego, vários bens materiais que levei anos para conquistar, perdi o grande amor da minha vida, tudo isso devido ao meu vício na cocaína.

Minha família, por várias vezes pagaram dívidas minhas relacionadas as drogas. É um sofrimento viver nessa vida, já tentei por várias vezes me livrar do vício mas não consegui. Há alguns meses, fiz uma dívida e não foi possível pagar, o valor era alto. No meio de ameaças, fui convidado para ir a outro estado, para poder ser usado como mula para levar drogas para outros países. Fazendo isso eu ficaria livre da minha dívida.

Eu estava totalmente tomado pelo vício… a cocaína muda a minha forma de agir, de pensar, minhas atitudes… Eu me arrependo amargamente de ter vindo a Hong Kong com drogas, dessa vez eu perdi minha vida. Meu convívio com minha família. Eu estou há pouco mais de um mês na cadeia,  hoje livre do vício, posso ter noção do tamanho do erro que cometi, do risco que tive quando vim há Hong Kong…

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Meus cinco anjinhos

Tenho 25 anos, 5 filhos e sou mais uma brasileira vivendo esse pesadelo. Cheguei em Hong Kong dia 8/5/2023 onde imediatamente fui presa pela polícia. Em 22.05.23 cheguei no presídio, onde já estou há 1 ano. Já passei Natal, ano novo e aniversários da minha família neste lugar tão diferente, mas vou começar contando um pouco da minha história.

Eu nasci em Diadema, São Paulo, onde, para falar a verdade, conheço muito pouco. Quando tinha 4 anos, meus pais se separaram devido a problemas com traições do meu pai. Não me lembro dessa época. Meus avós paternos se mudaram para um interior logo em seguida, minha mãe virou a cabeça, não queria saber nada de mim. Era como se eu tivesse culpa da separação deles. Meu pai sumiu no mundo trabalhando para um parque de diversão, então fui morar no interior com meus avós.

E eu, uma criança, chorava e ficava doente, implorando o amor de alguém que era para me amar desde o meu primeiro suspiro.

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Uma experiência que nunca será esquecida

Primeiro, eu vou me apresentar. Sou brasileiro, natural do estado de Belém do Pará. Tenho 36 anos, sou casado e tenho um filho. Bom, para começar irei falar um pouco da minha vida, antes de acontecer tudo isso que estou vivendo hoje, minha vida antes era simples e adorável.

Eu sempre trabalhei honestamente, eu sempre gostei de trabalhar arduamente para conseguir minhas coisas. Sou personal trainer e sempre trabalhei na área da musculação. Trabalhei em várias academias de diferentes estados. Cheguei a dar aula para famosos e fiquei conhecido no meio social pelo bom trabalho que desenvolvi durante minha história profissional. Sempre fui uma pessoa dedicada em tudo que fazia e faço. Sou uma pessoa humilde, venho de família humilde. Tenho uma família maravilhosa. Agradeço a meus pais grandemente pela educação que me deram durante toda minha vida. Aprendi a respeitar o próximo para receber o mesmo respeito que dava. Continuar lendo Uma experiência que nunca será esquecida

Natal na solidão de uma cela

É época de Natal e final de ano, quando muitas pessoas cometem o grande erro de se envolver com o tráfico de drogas. Espero e rezo para que esta mensagem não caia em ouvidos surdos.

… eles podem oferecer-lhe uma solução para suas necessidades financeiras, que é um engano. Quando você tem que cumprir uma pena de muitos anos, você realmente sabe o que é uma necessidade.

Esta mensagem é dirigida a você, meu amigo, de uma prisão em Hong Kong, China. Eu sou uma pessoa que, como você, tem uma família, filhos que precisam de mim, uma mãe que sofre por causa da minha situação, avós e outros parentes que, em um momento como esse, derramaram lágrimas de dor por essa realidade que eu os fiz viver. Por tomarmos decisões levianamente que mudam nossas vidas e a vida de todos ao nosso redor.

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O que vai acontecer com meus filhos?

Sou brasileira presa em Hong Kong. Tenho 24 anos e venho de Fortaleza. Tenho cinco filhos. Sou filha de pais separados e fui criada pelos meus avós no interior de São Paulo, indo morar em Fortaleza em 2020.

Morava eu e meus filhos. Sempre trabalhei e lutei muito por eles, não tinha ajuda de ninguém. Minha família sempre ganhava só o que dava para sustentar e nunca tive ajuda dos meus pais que, logo após a separação, me abandonaram. Não iam me ver e nem ligavam.

Há alguns meses, me vi em um momento de desespero, onde me encontrava desempregada, com contas e aluguel atrasados e sem dinheiro nem para alimentação. Para piorar, meu filho de cinco meses teve uma crise de bronquite. Eu chorava noite e dia sem saber o que fazer. Nisso, uma conhecida me ofereceu um serviço e disse que o valor pago seria de grande ajuda para mim. 

Naquele momento, me parecia uma solução, então aceitei sem nem ao menos perguntar o que era, pois não tinha medo de trabalhar, seja de faxineira até catadora de lixo, mas não imaginei que fosse algo tão grave. Ela disse que eram só quinze dias fora, então deixei meus filhos mais velhos com o “pai” e o mais novo com um casal de amigas minhas. 

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As mulas de drogas carregam um peso de acusações e provas pesado demais para carregar

Os que conseguem ser bem sucedidos em persuadir os tribunais de Hong Kong que eles foram enganados são grande minoria, as ONG’s dizem que a maioria ainda tem que passar anos na cadeia esperando por um julgamento antes de serem soltos

Aminah* e sua tia Sunarti* ficaram chocadas quando chegaram no Aeroporto Internacional de Hong Kong e os funcionários da alfândega usaram uma furadeira elétrica para separar suas malas.

As mulheres da Indonésias foram

presas por tráfico de drogas após os policiais encontrarem 5kg de metanfetamina, conhecido como Ice, escondido nas malas.

Algumas semanas antes de sua prisão em junho de 2019, Aminah, 25, uma dona de casa que vivia em Lombok, foi contatada por sua amiga indonésia Kartini* que estava trabalhando como empregada doméstica em Hong Kong.

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A aposta de uma mãe

Sai de São Paulo em 28 de Junho destino Hong Kong onde fui pega no aeroporto com drogas. Eu nunca tinha feito algo tão errado na minha vida.

Fui motivada a fazer isso por problemas financeiros onde precisava salvar meu filho de uma dívida de jogo, jogos online onde hoje no Brasil muitas jovenes se entregam ao vício. Meu filho tem 21 anos e estava a trabalhar quando descobrir que ele estava devendo muito dinheiro à banca de jogo online. Devido isso ele foi embora de cidade e eu preocupada como mae aceitei a trazer drogas. Com esse problema uma conhecida de longa data mi falou que eu poderia ganha o dinheiro fazendo esse trabalho que seria rápido e tranquilo, então por desespero eu aceitei!

Eu tinha consciência do que eu estava fazendo, mas não sabia das consequências que isso me traria.

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Uma vida desperdiçada

Olá sou brasileiro, 25 anos, sou do estado do Pará, fui apreendido no aeroporto internacional de Hong Kong do dia 1 de março de 2020, hoje me encontro em custódia e aguardo minha audiência para ser ser sentenciado penso esse ano pelas autoridades de Hong Kong.

Aqui irei contar minha tragédia antes de vir para Hong Kong, como eu conheci as pessoas que me ofereceram a proposta para viajar traficando drogas e que me levou o motivo para cometer esse crime. 

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Coração partido

Sou brasileiro, tenho 24 anos. Escrevo esta carta para expressar a profunda angústia e dor que tanto eu quanto minha família estamos passando desde minha prisão em Hong Kong por tráfico de drogas perigosas. 

Escrevo esta carta como um aviso! Por favor, não se deixe seduzir pelo chamado ‘dinheiro fácil’. Há uma grande necessidade em alguns casos – como pensei que fosse o meu, mas por mais difícil que você possa pensar que sua situação seja não se iluda acreditando que o tráfico é a saída, porque não é!

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Um negócio de mentiras

Sou de África, venho de uma de classe média, decidi participar do programa Não Mais Mulas para Hong Kong porque foi usado, e  enganado,  por uma pessoa de nacionalidade nigeriana, devido ao meu trabalho de comércio informal.

Este indivíduo veio até mi  abordo-me dizendo que queria comprar os meus produtos, dias depois, quando viu que já havia adquirido confiança em mim, ele convenceu-me a levar os meus produtos para a áfrica do sul, onde ele teria mais clientes.

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